quinta-feira, 24 de março de 2011

Um clone ou a possibilidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo? Pois bem, os Robôs chegaram.

Tudo ainda muito tímido, mas a questão é, chegaram e já estão trabalhando. Uma iniciativa das “Stat ups”, empresas embrionárias e que trabalham com inteligência digital. Os “Robôs” que permitem tele-presença, como o Anybots estão sendo comercializados e logo vão superar as funções de participar de uma conversa no cafezinho ou buscar um material no almoxarifado.

É preciso salientar que a tecnologia esta assimilada. É uma evolução talvez dos brinquedos com controle remoto ou dos robôs que auxiliam a polícia e ou bombeiros, no entanto, a questão da interação e da personificação são inovações que se inserem no social humano. Com isso, um dia, com sofisticados Anybots estarei presencialmente em minha casa e virtualmente no supermercado, no escritório e no boteco interagindo como pessoas reais ou com seus Anybots. Me pergunto, posso chamar a isso de evolução?

Se quiser ler mais sobre isso, veja os links que pesquisei:




Veja os vídeos, acompanhe esta questão – “presença remota” – esteja atendo.



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Homenagem da Revista Nova Escola

Prof. universitário Mauricio Valentini - Mestre em Linguística,Especialista em Marketing e Vendas, graduado em Educação artística e Arquitetura pela Universidade de Franca. Atualmente trabalha como docente e técnico-administrativo da Universidade de Franca. Tem experiência na área de DESIGNER PARA WEB,COMUNICAÇÃO e MARKETING, com ênfase em PROJETOS WEB, atuando principalmente nos seguintes temas: FERRAMENTAS ACADÊMICAS DE INTERATIVIDADE, BLOGS, SITES E MULTIMÍDIA E REDES SOCIAIS DIGITAIS.



Criado no siteVocê na capa de NOVA ESCOLA.

FELIZ DIA DOS PROFESSORES A TODOS QUE COMPREENDEM A IMPORTÂNCIA DESTA PROFISSÃO QUE POSSUI NO CERNE O LEMA DO DOAR-SE.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tecnologia melhora interação entre alunos e professores

UNIVERSIA BRASIL (SP) • NOTÍCIAS • 14/9/2009 • 12:30:00

Tecnologia melhora interação entre alunos e professores
Blogs e comunidades possibilitam aprofundamento do conteúdo
Por Mariana Bevilacqua]

Comunidade criada exclusivamente para o curso de Pollyanna auxilia na interação entre alunos e professores e ajuda a absorver o conteúdo.

A biblioteca já não é mais a única fonte para o estudante que deseja se aprofundar ou tirar dúvidas dos assuntos tratados em sala de aula. Cada vez mais os meios tecnológicos invadem a mesa de estudos, ampliando as possibilidades de interação entre alunos e professores e auxiliando no aprendizado.

A estudante de Administração Geral da UFPE (universidade Federal de Pernambuco), Pollyanna Diniz, participa dessa evolução. Além de redes sociais, ela também faz parte de uma comunidade criada apenas para estudantes de seu curso. "Para aprender por meio das redes sociais é necessário ter determinação para não desviar do foco", afirma. Para ela, a comunidade é a ferramenta que mais a auxilia nos seus estudos. "Os professores e os alunos têm perfil na comunidade e a interação é ágil, seja para debater um assunto com os colegas ou para tirar dúvidas com o professor", diz.

O sucesso da comunidade é confirmado pelo coordenador do referido curso, Pierre Lucena. "A ferramenta existe há cerca de seis meses e, mesmo sem divulgação, já tem mais de 950 usuários", ressalta. Um dos grandes atrativos, de acordo com ele, é a possibilidade de postar materiais para os alunos fazerem download, o que acaba com a necessidade de tirar cópias em papel. "É mais prático que enviar e-mails, pois os professores podem se comunicar com diversas pessoas ao mesmo tempo", garante.

Outro meio de interação entre professores e alunos é o blog mantido pela Arenas, a agência experimental para alunos de Comunicação Social e design da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). "Eles postam o que pesquisam sobre tendências na área de comunicação e os professores moderam o conteúdo e alinham a linguagem usada", comenta o coordenador da agência, Matheus Marangoni. O Twitter também é utilizado e funciona como ferramenta complementar. "Ao publicar uma matéria nova, lançamos uma chamada no micro-blog para informar aos estudantes que há novos conteúdos disponíveis", afirma Marangoni.
Tecnologias que auxiliam o aprendizado
  • Blogs: de autoria dos professores ou da coordenação de cada curso, abre espaço para comunicação com os estudantes, além de permitir a postagem de materiais referentes a assuntos tratados em aula.
  • Comunidades: permitem a interação entre alunos e professores, tanto para tirar dúvidas como para debater a aula. Em alguns casos, também é possível que os professores postem materiais para download.
  • Twitter: ferramenta de comunicação rápida, é usado pelas universidades para avisar aos estudantes sobre novos conteúdos adicionados na página da instituição.
    - Notebook e celulares: usados para acessar a Internet e fazer pesquisas sobre a matéria estudada, muitas vezes durante a aula, como meio de complementar o assunto.

Na Unifran (universidade de Franca) a interação entre professores e estudantes também é feita por meio de blogs. Lá, a iniciativa isolada de um professor cresceu e, agora, cada curso tem seu espaço virtual. "Meu blog foi o piloto de um projeto que visava desenvolver ferramentas de comunicação para os cursos. Agora, publico materiais das disciplinas na Internet e aproveito para usar o blog como um canal de comunicação com os alunos", enfatiza o professor Maurício de Azevedo Valentini. Para ele, o recurso é útil por possibilitar que os estudantes possam acessar os materiais a qualquer momento.


Melhor desempenho
Para Marangoni, as novas tecnologias para a comunicação possibilitam a melhora do desempenho dos alunos. "Há casos de estudantes que aplicaram o conteúdo aprendido no blog da universidade em trabalhos acadêmicos, obtendo bons resultados", conta. A opinião de Lucena é semelhante. "A comunidade permite que os alunos respondam as dúvidas dos colegas. Além disso, estudantes de semestres diferentes podem se auxiliar e trocar experiências", explica.


Valentini acredita que é preciso haver planejamento para o uso das ferramentas. "Só com preparação o aluno consegue perceber como as diferentes mídias ajudam no aprendizado", julga. O docente diz que disponibiliza o conteúdo da aula antes do encontro presencial. "Isso permite que eles façam um estudo prévio. Dessa maneira, ganham tempo para se aprofundar no assunto. As dúvidas que não são tiradas na sala, geralmente são enviadas nos comentários do blog".


Tecnologia na sala de aula
Marangoni enfatiza que a tecnologia não auxilia apenas os estudantes, mas que os professores também tiram proveito das possibilidades. "Acessar o blog na sala de aula pode ajudar o docente a exemplificar o assunto abordado. Dessa forma, ele usa modelos atuais, o que facilita a compreensão do aluno", explica.


Pollyanna aponta algumas estratégias utilizadas para buscar informações mesmo no decorrer da aula. "Uso o notebook para fazer pesquisas rápidas sobre os conteúdos básicos da matéria que o professor explica. Dessa forma, não interrompo a aula e peço apenas explicações mais aprofundadas", garante a estudante. Ela complementa que os colegas também utilizam recursos semelhantes. "Alguns, inclusive, fazem pesquisa diretamente no celular".

Entretanto, Valentini enfatiza que os meios tecnológicos não substituem a atuação do professor em sala de aula. "Eles servem apenas como complemento da matéria estudada. A forma de ensinar não sofreu a evolução necessária para acompanhar a tecnologia e alguns docentes encontram dificuldades para se adaptar", conclui.


Lucena partilha da opinião de Valentini e explica porque prefere restringir apenas ao blog o uso das tecnologias como complemento de matérias estudadas em aula. "Também uso redes sociais, mas a interação que os meios promovem abre espaço para que o aluno perca o foco facilmente, afinal, o contato é mantido com diversas pessoas", finaliza.

PROFESSOR-BLOGUEIRO É OBJETO DE ESTUDO DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

No dia 28 de agosto de 2009 o aluno Mauricio de Azevedo Valentini defendeu a dissertação intitulada “Práticas discursivas e identitárias do professor-blogueiro”. Sob orientação da Profª Drª Maria Regina Momesso, a banca contou com a presença da professora Drª Gloria Maria Palma (USC) e do professor Dr. Luis Antônio Ferreira (PUC). A defesa foi aberta ao público e a ela assistiram alunos do programa de Mestrado em Linguística e interessados. A dissertação fundamenta-se na Análise do Discurso de linha francesa e analisa as práticas discursivas e identitárias do sujeito professor-blogueiro em blogs educativos do grupo Internet e web na educação.

“Blogs educativos: espaços discursivos construindo subjetividades para o professor na contemporaneidade”.

Maurício de Azevedo Valentini (Unifran/SP) Maria Regina Momesso(Unifran/SP) -
“Blogs educativos: espaços discursivos construindo subjetividades para o professor na contemporaneidade”.

Os blogs educativos tornaram-se uma realidade. Muitos professores os tem utilizado em sua prática docente virtual com a finalidade de divulgar e tornar o conteúdo de suas disciplinas ou de seu fazer educativo mais atrativo a seus discentes e, além disso, construir um espaço interativo que estaria construindo o que Lévy chama de inteligência coletiva.
Todo esse processo ainda esta em fase de maturação e construção, os efeitos ainda são poucos conhecidos, uma vez que as relações estabelecidas dentro do espaço virtual dos blogs propicia a construção e a (re)significação de subjetividades tanto do blogueiro professor quanto de seus internautas, sejam eles discentes, colegas de trabalho ou outros. Diante do exposto esta comunicação tem por objetivo refletir sobre as práticas discursivas e de subjetivação que circulam em blogs educativos, procurando perceber como se dá a construção do blogueiro professor dentro desse espaço discursivo. A perspectiva discursiva serve de aparato teórico para a reflexão em questão.
O estudo pauta-se em autores como Foucault (2007, 1997, 1994) para pensar as práticas discursivas e de subjetivação; Bauman (2000, 2007) para refletir sobre a contemporaneidade; Lampert (2005) para questões da educação na atualidade e Oliveira (2004, 2006, 2008) no que tange aos blogs. Os resultados preliminares apontam para práticas discursivas instrucionais e de aconselhamento, em que o blogueiro professor coloca-se como um mediador de “saber” e “poder” para ensinar a ler e escrever com o auxílio de dispositivos tecnológicos. Dessa forma, procura por meio da tecnologia reconstruir uma imagem de educador engajado, que pertence ao mundo digital e está preparado para manter-se no mercado, pois se diferencia da maioria excluída desse processo.
PALAVRAS-CHAVE: Práticas discursivas e de subjetivação; Espaço discursivo; Blogs; Blogueiro professor

Artistas de pixels Conheça a técnica chamada pixel arte, os desenhos ponto a ponto para a Internet.

Tecnologia Em Destaque

Artistas de pixels Conheça a técnica chamada pixel arte, os desenhos ponto a ponto para a Internet.
Veja como muitos universitários entraram com o pé direito na carreira com um hobby Publicado em 08/12/2004 - 02:00 A+ A-
Por Renata Aquino

Quem é estudante e olha com descaso para o programinha Paint do Windows pode parar e pensar duas vezes. Não só ele como outros softwares como o Photoshop e o Gimp estão virando um modo de vida para muitos estudantes em todo o Brasil e até no exterior. Em dias onde todo mundo tem blog, fotolog ou perfil no Orkut, nunca foi tão popular o design para a Internet. De mania adolescente para a mesa de produtoras de Web internacionais, um estilo retrô que mistura arte e design com tecnologia volta com toda a força. Pixel art é a mania de desenhar a partir dos menores elementos de uma imagem eletrônica, os pixels. Como em um bordado eletrônico, passa-se horas na frente do computador desenhando pixel a pixel bonecas, cidades e até mesmo posters gigantes.

A técnica, que pode ser traduzida literalmente por "pixel arte", surgiu mais por necessidade do que por inventividade. No início dos videogames, os personagens não passavam de formas coloridas quadriculadas que ficaram famosas em games como os encontrados nos cartuchos do Atari 2600. Com a sofisticação tecnológica e a melhoria das velocidades de conexão, as imagens aprimoraram-se. O 3D agora é parte cotidiana da Internet. A velha técnica do pixel arte, no entanto, não morreu. Agora até em formato 3D, como nos pioneiros Eboy.com ou Habbo Hotel, o mosaico eletrônico ainda enche os olhos e atrai milhares de páginas vistas.
O Universia foi procurar os praticantes de pixel arte no Brasil e descobrir qual o fascínio que a técnica desperta. A surpresa é que, além de uma brincadeira simpática, a pixel arte é o primeiro passo para uma carreira ou um site com muito sucesso. Conheça a nata do pixel arte nacional e entenda por que, se você nunca desenhou com o mouse, pode ter perdido ótimas oportunidades de ganhar dinheiro.

Paraná faz pixel arte de olho no Guinness

Realizei 4 cursos intensivos na área de 3D e estou completando um curso de empreendedorismo na área de jogos eletrônicos pela Omni Informática. Trabalho desde 2002 na Linkwell.com.br como diretor de criação desenvolvendo trabalhos de design, internet e multimídia. Na Linkwell desenvolvi o Pinhãoarte o maior cartaz em pixel arte do Brasil, segundo um livro dos recordes brasileiro.

Sou sócio da Enamez Games desde 2003, a empresa desenvolve jogos eletrônicos para dispositivos móveis, celulares e palms, e toda a linguagem visual utilizada é pixel arte. A Enamez está em fase de incubação no Cefet de Ponta Grossa e estamos lançando nosso 1º game intitulado Beetle Racer ou Corrida de Fuscas.
Estou ainda abrindo um estúdio de animação 3D e 2D, ilustração e pixel arte com mais dois sócios chamado Estúdio 30.

Tenho ainda o projeto intitulado Champcross.com. Esse projeto é um portal de pixel arte, com tutoriais, fórum e intuíto de formar uma comunidade de artistas de pixels para entrar no Guinnes fazendo o maior cartaz em pixel arte do mundo.

Acho que pixel arte é uma linguagem visual bastante técnica, que exige um bom conhecimento espacial e iluminação. Ela remete à época dos games do final da década de 70 no meio digital, e antes disso era feita em máquinas de escrever manuais de fita.

Com certeza a pixel arte pode ser uma forma de se viver, é interessantíssimo do ponto de vista financeiro, pelo contrário não estaria investindo na Estúdio 30, um estúdio que lidará apenas com arte eletrônica em todas as suas principais vertentes hoje.

Gosto de pixel arte 2D e 3D, que realmente são bem diferentes em sua concepção gráfica, mas eu prefiro a 3D estilo Habbo Hotel, acho a que a visão espacial que proporciona esta técnica é bem mais interessante. Parece que até dá para se transportar para este ambiente todo coloridinho... Já minha namorada prefere o estilo Dolls, 2D, porque é bem mais fofo (risos).
Peterson Silva, formado em Desenho Industrial (PUC-PR), pós-graduado em Poéticas Contemporâneas no Ensino da Arte (Tuiuti-PR)

Aprenda pixel arte a distância

Atualmente trabalho em uma empresa de EAD, a XNX Excellence and Experience, onde atuo no cargo de designer dentro do setor de produção dos cursos. Por conseqüência estou envolvido diretamente com a arte eletrônica e design digital.

Escrevi em 2002 um tutorial sobre como realizar seu próprio pixel arte, a apostila em PDF mostra como construir uma casa, passo a passo. Fiz ainda uma versão para impressão em alta resolução (maior tamanho de arquivo).

Quando criança meu melhor passatempo era o videogame Atari, era algo muito divertido, me deixava na frente da TV durante horas. A mesma arte utilizada nos jogos de Atari, hoje é usada tanto para design de páginas da internet quanto jogos e desenhos. Acho que a pixel arte é uma arte que nunca morrerá.

Ano que vem me formo e estou a procura de uma pós-graduação na qual possa continuar a buscar mais sobre a arte digital e design.

Carlos Eduardo Pieroni, aluno de graduação Tecnologia de Mídias Digitais (PUC-SP)

Professor lembra do começo da pixel arte na Unifran

Em 1997, me tornei professor da Universidade de Franca. Ministro aulas na disciplina de Modelagem por Computador II e III , Ilustração Digital e Projeto do Produto II. Acho devemos lançar as redes em águas mais profundas. Buscar, resgatar, entender o sentimento pelo qual somos motivados todos os dias. Por isso gosto de pixel arte, ASCII arte ou simplesmente arte.
A pixel arte tem encontrado muitos adeptos. Com a popularização da informática com o sistema operacional Windows 3.11, um aplicativo chamado ?Paint Brush? permitia esse tipo de desenvolvimento ponto a ponto, aí já encontrávamos ilustrações belíssimas, como a da artista Daniela Vilela com sua BMW, que levou dois anos para finalizar.

Os trabalhos em pixel arte são limitados apenas pela criatividade do designer, pois suas aplicações são variadas. A pixel arte transcende a web e chega até a tela da TV, como na nova campanha da Skol com ícones que identificam o cliente propondo o "peça do seu jeito?.

Na Unifran, os trabalhos realizados em pixel arte limitam-se à elaboração de ícones institucionais dos logos e ou cursos, no entanto tenho usado a técnica como terapia, porque é um trabalho igual a de um quebra-cabeça onde a colocação do pixel corretamente, faz a grande diferença.

Para sobreviver com arte precisamos além de talento, disposição e sorte, para administrar e separar quando se deve fazer arte da utilização de filtros e efeitos do Photoshop.

As novas ferramentas gráficas com recursos cada vez mais eficazes agregam a criação rapidez e autenticidade e influenciam diretamente a qualidade dos produtos. A popularização tecnológica é inevitável resta-nos tentar entender como os grupos vão se movimentar no ciberespaço.
Maurício de Azevedo Valentini, graduado em Arquitetura na Unifran, professor do curso de Desenho Industrial da Unifran e profissional de webdesign da universidade

Pixel arte de motion designer brasileiro foi à Finlândia

Paciência é a palavra que melhor representa a técnica de pixel arte. Costumo chamar pixel arte de "nanodesign": o desenho de coisas minúsculas, quase uma nanotecnologia. Na verdade nada mais é que uma técnica de desenho digital, ponto a ponto... ou pixel a pixel.
Trabalho na Lobo, um estúdio de motion graphics, ou design em movimento. Lá fazemos design para TV (como identidade visual de programas, horários ou canais inteiros; chamadas ou vinhetas de promoção), publicidade e outros.

Minha primeira experiência em pixel arte foi o video clipe do Golden Shower, chamado "Video Computer System", todo construido em homenagem aos jogos de Atari 2600. O duo eletrônico faz de sua música uma referência à cultura pop dos anos 80. Depois disso fiz o site deles, aí sim com uma técnica um pouco mais apurada, menos 2D e mais 3D, já que a intensão era criar uma referência mais genérica de imagem "low-tech", reverenciando os anos 80 porém sem ser literal.
Também fiz parte da equipe que fez o clipe "Name of the Game" da dupla finlandesa de techno Ural 13 Diktators no qual a homenagem fica pra geração seguinte à do Atari: o Nintendo 32 bits.
Sobre viver de arte eletrônica, o que é exatamente a arte eletrônica? É uma arte onde se emprega o uso do computador? Se sim, existe uma gama gigantesca de possibilidades, algumas mais rentáveis que outras. Na minha área de motion design é possível viver disso sim.

Não tenho dúvidas que a presença da arte eletrônica está maior no cotidiano, cada vez mais. Acredito que a web ajude a arte eletrônica, como qualquer outra arte, a se disseminar e chegar mais rapidamente a milhares de pessoas. Por outro lado, a disseminação rápida de alguma técnica nova pode transformá-la rapidamente em algo repetitivo e comum.

Eu gosto da arte aplicada, não importando tanto a técnica e sim o conteúdo. Qual a razão da técnica ser empregada em determinado projeto? A pixel arte pura e simples, sem aplicação e função, usada apenas como elemento estético, não me atrai.

Carlos Bêla, graduado em Design Industrial (FAAP-SP), especialização em Programação Visual.
Gaúchos fazem o menor site do mundo

Na faculdade, fiz estágio no CPD (centro de processamento de dados), onde tive meus primeiros contatos com webdesign. Eu e um colega éramos responsáveis pela programação visual do portal da UFSM.

Trabalho com pixel arte desde 2001. Meu primeiro contato com a técnica foi através da criação de ícones para meu desktop. Eu lembro que odiava aqueles ícones sem graça do Windows (na época ainda não trabalhava com mac). Então decidi, com o incentivo do meu amigo Akira (Giovanni Faganello), criar ícones personalizados para substituir os ícones do Windows. Através de um programinha chamado "Microangelo", dei meus primeiros cliques e fabriquei minha primeira ilustração em pixels. Desde aquele primeiro momento sou completamente apaixonado pela técnica. Tanto que coloquei o pixelart como tema da minha monografia de conclusão de curso.

Eu definiria o pixelart simplestente como a técnica de manipulação direta dos pixels na formação de imagens. O designer trabalha colocando pixels de diferentes cores mantendo um zoom bem aproximado e, ao retornar o tamanho original da ilustração, pode perceber os efeitos causados e a imagem formada através dessa manipulação de pixels. Em termos artísticos poderíamos até arriscar definir o pixel arte como uma espécie de "pontilhismo digital".

No final de 2001 eu e meu amigo Akira já não sabíamos mais o q fazer com tantos ícones, então decidimos colocá-los em um website. Dessa forma fundamos a Electric Icon Land, uma "cidadezinha virtual" onde o internauta pode "passear" (navegar) pelas ruas da cidade e entrar nas lojas para baixar ícones temáticos. Além dos ícones, todos os gráficos da "cidade" foram feitos em Pixel Arte. Como a página está toda em inglês, o site nos rendeu bons contatos no exterior. Através desses contatos conseguimos realizar alguns trabalhos interessantes como mostra nosso portfolio. A maioria dos nossos clientes vem dos EUA, mas já realizamos trabalhos para a Itália, França, Holanda, Irlanda, Hong Kong, entre outros. São raros os clientes brasileiros, até mesmo porque muita gente acha que nao moramos Brasil.

Fizemos ainda o DOT16. É um dos menores sites do mundo, pelo menos parece ser o menor com navegação. Montamos o projeto por diversão.

Acho que dá para viver de arte eletrônica sim, desde que haja uma boa estratégia marketing, porque de nada adianta um ótimo trabalho que ninguem enxerga.

Atualmente divido meu tempo entre uma produtora de vídeo e meus trabalhos como freelancer em casa. Dentro da produtora onde trabalho tenho a oportunidade de aplicar conceitos de design e arte eletrônica na criação de animações e VTs publicitários. Ultimamente também tenho utilizado meus conhecimentos na criação de DVDs (menus interativos) para audiovisuais institucionais. Como freelancer, realizo projetos direcionados à Internet.

Eu aprecio qualquer tipo de pixel arte. Mas devo confessar que sou mais adepto do 3D e isso é claramente reconhecido em nosso trabalho. Pessoalmente acho q o pixelart 3D me oferece mais desafios. Dependendo da dimensão, existem coisas quase impossíveis de serem representadas tridimensionalmente e a sensação de êxito nesses casos é extremamente gratificante. Sou fã incondicional do Habbo Hotel. Mas ainda acho que tem coisas nele que poderiam ser melhoradas. Por isso ainda vou lançar um concorrente do Habbo. Só falta tempo e dinheiro, mas vontade nao falta.

Gabriel Gorski, do Electriconland.com e graduado em Desenho Industrial - Programação Visual pela UFSM-RS.

"Escola" de pixel arte no Rio de Janeiro

Sou professor da Design Total, que visa promover o aperfeiçoamento profissional através de cursos de extensão online. Onde estarei aplicando um curso de pixel arte. Os cursos podem ser via website ou presenciais, como acontecido em novembro de 2004, no Encontro Regional de Estudantes de Design, em Birigui, São Paulo.
Comecei a me interessar por pixel arte em 1999. Referência visual é tudo nessa área. Meus trabalhos podem ser vistos na seção projetos web, de meu portfolio. A técnica é simplesmente uma forma de ilustração, onde se assemelha ao pontilismo e a grosso modo até mesmo ao bordado.
Fui um dos vencedores do "Pixel People Fashion Competition" - com os personagens mundrungo, para a primeira novela em pixel arte da internet, pertencente ao website Neopod.net. Os mesmos personagens foram incluidos no webclipe "Khorborg", premiado no The Payut Ngaokrachang Award (Tailandia) - Ago 2001. Esse clipe é engraçado, eu juntamente com minha ex-namorada aparecemos em destaque na mesa central do bar onde se passa boa parte do clipe, pura coincidência. No mesmo clipe aparecem personagens de outro brasileiro, o designer carioca Fabio Eis, ilustrador da Visorama.tv.

Não conheço ninguém que viva exclusivamente de pixel arte, mas se voce aplicar o horizonte de arte eletrônica, verá DJs e outros artistas gráficos que têm nesse meio seu sustento. Acredito que a arte eletrônica terá cada vez mais espaço. No caso da pixel arte, a web embarcou numa onda retrô anos 80 dos games estilo Atari e com isso popularizou a pixel arte. Então, essa estética tem vários ramos de atuação desde esculturas Lego até icones pra celulares e games.
Sou apaixonado por pixel arte 3D, a perspectiva isométrica tem um charme sem igual.
Armando Fontes, graduado em projeto de produto pela UFRJ, em 2002.

Brincadeira de boneca leva paulistana longe

Antes de fazer a faculdade, já tinha um blog. Quando comecei a navegar, adorava as imagens delicadinhas e pequenininhas, os GIFs feitos pixel por pixel. Então descobri as bonecas ou dolls em um site de bate-papo americano chamado The Palace. Comecei a colecionando as dolls, mas sentia vontade de personalizá-las e foi aí que comecei a fazer minhas próprias dolls.
Tinha também outro site antes. Onde eu juntava um monte de coisas, horóscopo, fotos de animais, GIFs animados. E colocava as dolls que encontrava decorando esse site. Mas como muitas pessoas mandavam e-mails perguntando sobre as dolls, resolvi separá-las do site o que levou ao Dolls.com.br. Tenho ainda outros sites mas que não têm a ver com dolls, mas marcadores e outras coisas.

No começo, até procurei tutoriais de pixel arte, mas não tinha nada. Aprendi abrindo arquivos já existentes e redesenhando. No começo, usava o Paint mesmo e o Animagic Gif pra animar. Eram os programas mais simples. Hoje que tenho mais noção de design uso qualquer programa para fazer pixel arte.

Quando não existiam blogs no Brasil, a melhor fonte para consulta eram os sites pessoais de garotas americanas. O primeiro nome das bonecas era Cartoon Dolls, mas elas não tinham a mesma aparência de hoje. Elas podem ser um avatar, uma imagem usada para representação em fóruns, messengers ou bate-papo.

Pixel arte se aprimora com treino. Como você trabalha com a tela ampliada (ponto por ponto), só dá para ter noção de como ficou quando acabar e diminuir a tela e com o tempo você vai percebendo que se usar mais tons, pode dar a ilusão de sombras e texturas e outras coisas.
O site Dolls.com.br virou uma espécie de museu. Um lugar onde as pessoas que fazem dolls podem expôr seus trabalhos e encontram inspiração e recursos pra continuar se aprimorando nessa arte. Tenho colaboradores por que algumas pessoas queriam participar mais, não só enviando dolls. Então eu criei a oportunidade de ser da equipe e ter a doll destacada lá, com o link do blog/site da pessoa e também comecei a chamar aqueles que faziam as melhores dolls e isso meio que se tornou uma maneira de obter status no site. Todo mundo que envia dolls quer ser da equipe mas apenas as pessoas que participam mais e com os melhores trabalhos sao chamadas.

Mesmo assim, para mim, pixel arte requer muito tempo, você passa horas trabalhando em uma imagem pequenininha! Eu faço só por hobby. O site está hospedado agora no Vírgula.com.br e teve muito retorno da mídia. Mas mais do que o retorno da midia, é legal ver meninas pequenas que por causa das dolls acabam desenvolvendo umas habilidades incríveis no PC tanto no manuseio dos programas, quanto coordenação etc.
É interessante também ver que as imagens estão sendo aplicadas em outros lugares como na MTV que usa muito um visual "sujinho" da web. A Warner já usa mais o visual vetorizado.

Lia Camargo, aluna de Produção Editorial na Anhembi Morumbi, mantenedora do Dolls.com.br e profissional da equipe de design do Universia Brasil

Carioca faz playground de pixel arte e muda-se para NY

Comecei a me interessar por pixel arte quando estava na faculdade. Acho bacana a inspiração dos videogames. É uma estética muito usada mas que não saiu de moda e vai ter uso sempre. Estava no meu segundo emprego, refazendo meu site pessoal quando envolvi-me com um projeto que precisava de ícones.

Comecei a desenhar carrinhos. Fiz dez carrinhos com pixel arte. Onde mais se encontrava informação sobre pixel arte era com os designers de ícones. Não sabia, na época, que viria a morar em Nova York mas fiz uma cidade de pixel arte e coloquei prédios nova-iorquinos.
Chamei essas experiências de Playground e coloquei o site Gworka.com no ar. No começo não era só pixel arte, era apenas o meu portfolio. Acabei optando por deixar o site só com pixel arte no ar. Atualmente, meu porfolio está no GuiBorchert.com.

Comecei a trabalhar com design em 1999. De lá para cá, trabalhei em diversas empresas, entre elas fiz um trabalho para o Banco1.net Vim para Nova York fazer um mestrado. Ofereceram um emprego para mim na R/GA, uma grande agência aqui. Agora sou líder de projeto de uma conta de um grande cliente, a Nike, tendo atrasado os planos de fazer mestrado por enquanto.
Acho que não há uma guerra entre pixel e vetor. Assim como não vale o dilema arte ou design. Tudo depende do projeto. O vetor não tem tamanho, é baseado em pontos vetoriais. Já a pixel arte é trabalhar em 72 DPI ponto a ponto usando tudo o que a tela pode te dar. E se você tem uma img de 32 x 32 pixels, por exemplo, não dá só para aumentá-la. Você tem que duplicá-la proporcionalmente.

Uso tanto pixel arte 2D quanto 3D. Na parte do meu site chamada garagem, há uma boa mistura dos dois tipos.

O trabalho profissional é a diferença entre um projeto de design completo e uma simples ilustração. Se for para fazer um projeto, responder a uma demanda de um cliente, aí é preciso estudar mais. Pós-graduação depende do momento profissional. No Brasil falta ainda uma boa pós em Design. A PUC-Rio tem uma área forte mas mais focada em HCI e usabilidade.
Pixel arte é um estilo muito específico, talvez por isso não tenha ninguém fazendo uma tese em torno disso. Para fazer pós é importante algo mais focado, talvez uma instituição focada nisso.
Guilherme Borchert, graduado em Desenho Industrial na UFRJ, profissional da agência RG/A em Nova York, responsável pela conta da Nike, entre outros clientes.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

BLOGS EDUCATIVOS: ESPAÇOS DISCURSIVOS CONSTRUINDO SUBJETIVIDADES PARA O PROFESSOR NA CONTEMPORANEIDADE.

BLOGS EDUCATIVOS: ESPAÇOS DISCURSIVOS CONSTRUINDO SUBJETIVIDADES PARA O PROFESSOR NA CONTEMPORANEIDADE.

Maurício de Azevedo VALENTINI (Unifran/SP)
Maria Regina MOMESSO (Unifran/SP)

RESUMO: Os blogs educativos tornaram-se uma realidade. Muitos professores os tem utilizado em sua prática docente virtual com a finalidade de divulgar e tornar o conteúdo de suas disciplinas ou de seu fazer educativo mais atrativo a seus discentes e, além disso, construir um espaço interativo que estaria construindo o que Lévy chama de inteligência coletiva. Todo esse processo ainda esta em fase de maturação e construção, os efeitos ainda são poucos conhecidos, uma vez que as relações estabelecidas dentro do espaço virtual dos blogs propicia a construção e a (re)significação de subjetividades tanto do blogueiro professor quanto de seus internautas, sejam eles discentes, colegas de trabalho ou outros. Diante do exposto esta comunicação tem por objetivo refletir sobre as práticas discursivas e de subjetivação que circulam em blogs educativos, procurando perceber como se dá a construção do blogueiro professor dentro desse espaço discursivo. A perspectiva discursiva serve de aparato teórico para a reflexão em questão. O estudo pauta-se em autores como Foucault (2007, 1997, 1994) para pensar as práticas discursivas e de subjetivação; Bauman (2000, 2007) para refletir sobre a contemporaneidade; Lampert (2005) para questões da educação na atualidade e Oliveira (2004, 2006, 2008) no que tange aos blogs. Os resultados preliminares apontam para práticas discursivas instrucionais e de aconselhamento, em que o blogueiro professor coloca-se como um mediador de “saber” e “poder” para ensinar a ler e escrever com o auxílio de dispositivos tecnológicos. Dessa forma, procura por meio da tecnologia reconstruir uma imagem de educador engajado, que pertence ao mundo digital e está preparado para manter-se no mercado, pois se diferencia da maioria excluída desse processo.
PALAVRAS-CHAVE: Práticas discursivas e de subjetivação; Espaço discursivo; Blogs; Blogueiro professor.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Distanciar-se

Ontem recebi um convite, o de me distanciar, distanciar o olhar das coisas, dos atos, dos feitos, para poder analisá-los de um outro ângulo. Convite este, aparentemente singular, porém que causou um certo estranhamento, afinal, foi uma proposta de deslocamento, e a priori, uma situação difícil, pois, naturalmente procuramos nos localizar, fixar em determinados conceitos e atitudes, e ainda, jamais havia concebido a possibilidade de olhar de mim para mim.

Quando me vi assim por outro angulo e a certa distância, me deparei com uma pessoa que se propôs a dar voltas maiores na vida, até que os seus objetivos principais estivessem maduros. Percebi, na verdade que estes objetivos nunca existiram e que estas " voltas maiores" foram se ainda não são uma fuga. Talvez no ato deste contrato, estava eu um tanto jovem, com medo, incerto das realidades, sem bagagem cultural para questionar, sem argumentos, pronto a abraçar a causa da aparência, ou seja, um olhar fixo no horizonte, peito estufado esbanjando "coragem", a certeza de um campo a desbravar, porém, nitidamente vazio.

O vazio de todo não é uma coisa ruim, se imaginarmos que ele por si só convida ao " preencher-se", ou seja, se esta vazio precisa, e pede um preenchimento, neste sentido, o vazio é impulsionador, impulsionou-me pelo menos.

Aprisionado a está dinâmica de buscar um preenchimento constante, filiei-me as situações cotidianas, que surgiam aos montes, abraçava duas para a parte da manhã, deixava amarrada as da tarde e pendurava ao menos uma para noite, porém mal sabia eu que, pelo contrato, o esvaziamento possuía o mesmo ritmo, e os momentos, fases, situações eclodiriam desta forma, um eterno vazio. Existe aqui um amortecimento conceitual, uma substituição do sentido inicial da fuga por falta de objetivos claros pelo suposto valor de pequenas realizações. È claro que, neste contexto torna-se impossível perceber os caminhos, as trilhas as quais se segue e muito menos há um tempo para desenvolver as próprias.

Um filme inicia-se com um menino vendendo jornais, vidros quebrados, frutas roubadas dos quintais, refrigerante, gás de cozinha, frango de granja, ração, combustível, gerente de caixa, garçom, diretor de teatro infantil, técnico de multimeios, de informática, coordenador de grupo de oração, especialista em marketing, professor das áreas de comunicação e artes, designer de web, Analista do discurso.

De 8 a 37 anos são estas grandes voltas de vida, que percebo foram responsáveis por me per-fazer, se bem ou mal ainda não sei, o que sei é que este convite ao distanciar e ao deslocar-se de si causou um desejo, o desejo de descobrir-me, vencer os medos, criar caminhos mais puros e sóbrios, caminhos para os quais sobrevivi.

Devo aproveitar que não estou de todo vazio, para buscar um caminho que transborde poder e mistério, o poder do amor e o mistério da vida.

Franca, 10 de setembro de 2008.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Michel Pêcheux - (1938-1983)


Michel Pêcheux - (1938-1983): É considerado uma das figuras mais importantes da Análise do Discurso Francesa.

Ele é o fundador da Análise de Discurso que teoriza como a linguagem está materializada na ideologia e como esta se manifesta na linguagem. Ele concebe o discurso, enquanto efeito de sentidos, como um lugar particular em que esta relação ocorre. Pela análise do funcionamento discursivo, ele objetiva explicitar os mecanismos da determinação histórica dos processos de significação. Michel Pêcheux fez seus estudos na Escola Normal Superior de Paris, obtendo seu certificado para ensinar Filosofia em 1963. Em 1966, ele passou a fazer parte do Departamento de Psicologia no CNRS. Partindo de referências teóricas de G. Canguilhem e L. Althusser, Pêcheux reflete sobre a história da epistemologia e a filosofia do conhecimento empírico, visando transformar a prática das ciências humanas e sociais. Focalizando o sentido, que é o nó em que a Lingüística cruza a Filosofia e as Ciências Sociais, Pêcheux reorganiza este campo de conhecimento. Através do confronto do político com o simbólico, a Análise de Discurso que ele propõe, coloca questões para a Lingüística interrogando-a pela historicidade que esta exclui, assim como ela questiona as Ciências Sociais pela transparência da linguagem sobre a qual elas se constroem. Pêcheux compreende o sentido como sendo regrado pelas questões de espaço e tempo das práticas humanas, de-centralizando o conceito de subjetividade e limitando a autonomia do objeto da Lingüística. O discurso é definido como efeito de sentidos entre locutores, um objeto sócio-histórico no qual a Lingüística está pressuposta. Pêcheux critica a evidência do sentido e o sujeito intencional como origem do sentido. Ele considera a linguagem como um sistema sujeito à ambigüidade, definindo a discursividade como a inserção dos efeitos materiais da língua na história, incluindo a análise do imaginário na relação dos sujeitos com a linguagem. Propondo um novo suporte teórico para a ideologia, seu método é baseado na análise das formas materiais. A materialidade específica da ideologia é o discurso e a materialidade específica deste é a língua. O discurso é assim o observatório da relação língua/ideologia. Em termos de discurso, Pêcheux não faz uma distinção estrita entre estrutura e acontecimento, relacionando a linguagem a sua exterioridade. Estabelece a noção de interdiscurso, que ele define como memória discursiva, um conjunto de já-ditos que sustenta todo dizer. De acordo com este conceito, as pessoas estão filiadas a um saber discursivo que não se aprende mas que produz seus efeitos através da ideologia e do inconsciente. O interdiscurso está articulado ao complexo de formações ideológicas: alguma coisa fala antes, em outro lugar, independentemente. De acordo com Pêcheux as palavras não têm um sentido ligado a sua literalidade; o sentido é sempre uma palavra por outra, ele existe em relações de metáfora (transferência) que se dão nas formações discursivas que são seu lugar histórico provisório. A leitura (escuta) proposta por Pêcheux expõe o olhar leitor à opacidade do texto, objetivando a compreensão do que o sujeito diz em relação a outros dizeres. Criticando a análise de conteúdo, o psicologismo e o sociologismo, Pêcheux é um herdeiro não subserviente do Marxismo, da Lingüística e da Psicanálise, em sua Análise de Discurso que explicita as relações entre sujeito, linguagem e história. Com sua posição Michel Pêcheux, cria uma nova teoria com um novo objeto: o discurso. Ele consegue assim produzir o que propunha: uma mudança de terreno nos estudos da linguagem que afeta, ao mesmo tempo, o território das ciências humanas e sociais. Pós- saussuriano e pós-estruturalista, ele re-introduz a noção de sujeito e de situação, sem estacionar na análise de conteúdo, e fazendo intervir a noção de acontecimento junto a de estrutura. Elabora assim uma teoria não subjetiva de sujeito e sustenta a análise na relação do real da língua e no real da história. Sua contribuição para o campo das ciências da linguagem é justamente a que consegue trabalhar a questão do sentido na contradição que opõe o formalismo ao sociologismo.
Um texto muito didático achei conviniente divultar este trablalho, pois expõe com clareza e tranquilidade os princípios da AD francesa e Pêcheux

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Visitas e Comentários

Quanto na verdade importa a um blogueiro as visitas e os comentários?

Me parece que, a realidade é de muitas visitas e poucos comentários, será isso uma situação geral?

Assumo, visitei vários blogs hoje, li e vi várias coisas interessantes, mas não comentei...

Como este assunto te afeta? Tem alguma dica?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O discurso, o sujeito e a História em A Arqueologia do Saber

O discurso, o sujeito e a História em A Arqueologia do Saber
Foucault e Pêcheux na Análise do Discurso – Diálogos e Duelos
Maria do Rosário Gregolin

...Foucault traz com efeito a centralidade da relação entre práticas discursivas e a produção histórica dos sentidos.Ele quer afirmar que o objetivo do método arqueológico é definir não os pensamentos, as representações, as imagens, os temas, as obsessões que se ocultam ou se manifestam nos discursos, mas os próprios discursos, enquanto práticas que obedecem a regras.
A arqueologia procura apanhar o sentido do discurso em sua dimensão de acontecimento: cada palavra, cada texto, por mais que se aproxime de outras palavras e textos, nunca são idênticos aos que o precedem.

Trata-se de investigar “porque determinado enunciado apareceu e nenhum outro em seu lugar”, isto é, porque tal enunciado é um acontecimento na ordem do saber. Por isso, é preciso afastar categorias tranqüilizadoras – que dão uma aparente unidade e continuidade.

A DESCONTINUIDADE é, ao mesmo tempo, conceito, operação deliberada e resultado de descrição. Instrumento e objeto de pesquisa, ela permite ao historiador transformar os documentos em monumentos.

A discussão do conceito de “história” e sua relação com o método arqueológico é central em A Arqueologia do Saber, e dessa articulação derivam seus principais conceitos ligados à teoria do discurso:

a) a noção de acontecimento discursivo: O afastamento de noções utilizadas pela História tradicional (continuidade, linearidade, causalidade, soberania do sujeito) e a afirmação dos conceitos da “nova História” (descontinuidade, ruptura, limiar, limite, série, transformação) estão na base da proposta foucaultiana para análise do discurso...
Foucault propõe entender os acontecimentos discursivos que possibilitam o estabelecimento e a cristalização de certos objetos em nossa cultura....enxerga no enunciado, uma articulação dialética entre singularidade e repetição: “de um lado, ele é um gesto; de outro, liga-se a uma memória, tem uma materialidade; é único mas está aberto à repetição e se liga ao passado e ao futuro.”

b) o conceito de enunciado: Pensando-o como uma função, Foucault descreve o enunciado a partir de oposições com outras unidades – frase, proposição, atos de fala ...
Foucault mostra que o que torna uma frase, uma proposição, um ato de fala em enunciado é justamente a função enunciativa: o fato de ele ser produzido por um sujeito em um lugar institucional, determinado por regras sócio-históricas que definem e possibilitam que ele seja enunciado.
...pois entre o enunciado e o que ele enuncia não há apenas relação gramatical, lógica ou semântica; há uma relação que envolve os sujeitos, que passa pela História, que envolve a própria materialidade do enunciado.

c) a formação discursiva: sendo o enunciado dialeticamente constituído pela singularidade e pela repetição, a sua análise deve, necessariamente, levar em conta a disperção e a regularidade dos sentidos que se produzem pelo fato de terem sido realizados.
“ Sempre que se puder descrever, entre um certo número de enunciados, semelhante sistema de dispersão e se puder definir uma regularidade ( uma ordem, correlações, posições, funcionamentos, transformações) entre os objetos, os tipos de enunciação, os conceitos, as escolhas temáticas, teremos uma formação discursiva”

Foucault propõe que as dimensões próprias do enunciado sejam utilizadas na demarcação das formações discursivas...

...a conceituação tem caráter teórico-metodológico e institui o território da História como campo das formações discursivas: nelas se encontram o discurso, o sujeito e o sentido...

Todas estas questões deveriam me ajudar a compreender as práticas discursivas que irrompem dos enunciados dos blogs educativos, e assim responder ou compreender melhor o “sujeito professor” atravessado pelas maneiras de interagir exigidas nos meios tecnológicos de informação e comunicação do mundo atual.
O que realmente surge de novo nestas práticas em função do dinamismo acentuado do mundo midiático, mas precisamente do ciberespaço?

O que ciberespaço? E mundo midiático?

Hei, viajante! Pode me ajudar?
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

As Palavras e as Coisas

As Palavras e as Coisas: A Arqueologia das Ciências Humanas (1966)Foucault e Pêcheux na Análise do Discurso: Diálogos e Duelos
Maria do Rosário Gregolin

...analisar o acontecimento discursivo, isto é, tratar os enunciados efetivamente produzidos, em sua irrupção de acontecimento, a fim de compreender as condições que possibilitaram a sua emergência em um certo momento histórico.

... o acontecimento discursivo obedece a uma combinação de regras, que constituem o arquivo, e que determinam as condições de possibilidades de sua aparição.
A análise arqueológica busca o emaranhado de fatos discursivos anteriores a um acontecimento que, ao mesmo tempo, o explicam e o determinam...

A tese principal de “As palavras e as coisas” é que as ciências humanas (compreendidas como discursos) articulam-se sobre um conjunto de outros discursos que lhes deram a possibilidade de nascerem...

Os três momentos do homem como objetos de estudos, levantados por Foucault:
a) Idade da similitude: até o século XVI, as relações entre as palavras e as coisas eram marcadas pela semelhança, igualando magicamente palavra e coisa – pensava-se em uma ação mágica sobre o mundo, através das palavras;
b) Idade da representação: “No começo do século XVII, o pensamento cessa de se mover no elemento da semelhança”(1966ª, p. 75). Essa nova episteme busca sua fundamentação na representação;
c) Idade da interpretação: No século XIX, as idéias de finitude e de historicidade abrem possibilidade de tematizar o homem como objeto do conhecimento. “Cala-se a plenitude clássica do ser” (1966ª, p. 364) e instaura-se a era da interpretação. ...linguagem e discurso ocupam seu lugar na ordenação dos saberes.

...nosso saber (a idade clássica) inicia-se com a mutação na forma de conceber a relação entre as palavras e as coisas......Inicia-se, então a busca de ordenação desse mundo em que a semelhança desapareceu...

È o nascimento do homem como sujeito histórico que fará irromper a possibilidade de ele tornar-se sujeito de conhecimento......
Assim, diferente da idade clássica, que pensava o conhecimento como produto, e, portanto, infinito, a modernidade descobre que nada está acabado, tudo está sempre se transformando com os movimentos da História.

Para Foucault, as práticas discursivas são intermediarias entre as palavras e as coisas, a partir das quais se pode definir o que são as coisas e situar o uso das palavras. (...)

Estas questões a cerca destes relacionamentos entre as “Palavras e as coisas” posicionam o indivíduo em seu saber, portanto, vincula-se com a evolução deste indivíduo como sujeito, que em processo de continuidade, chega aos tempos pós-modernos inacabado e atravessado por ideologias, portanto, assujeitado e heterogêneo.Quero entender melhor está relação, para poder falar em “ práticas identitárias” do sujeito professor no meio midiático, liquido e pós-moderno, de certo, encontrar com meus próprios atravessamentos ideológicos, preconceitos e limitações teóricas, que neste instante são motivadores desta busca, deste estudo, da pesquisa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

De onde vem este medo?


CONTINUAÇÃO - PÓS-MODERNIDADE E CONHECIMENTO: educação, sociedade, ambiente e comportamento humano (Ernâni Lambert, Humberto calloni, Maíra Baumgarten, Ivalina Porto)


“...Na ótica da globalidade, o Estado-Nação está em declínio porque novas formas de poder estão sendo estabelecidas.


Através de uma visão de criticidade, deverá estar novos modos de pensar, ler o mundo, gerar conhecimento e conduzir o processo ensino-aprendizagem.
Considera que há multicamadas de interpretar a realidade e que a dúvida é condição indispensável para a reflexão.


Observa-se que há uma reviravolta na concepção de ciência e no conceito de verdade; uma tendência para a indeterminação; uma ameaça aos valores da cultura humanista; um reforçado aumento no grau de fragmentação, pluralismo, ecletismo e individualismo; isso ocorre, principalmente, em virtude das mudanças ocorridas no trabalho e na tecnologia.


Os efeitos perversos do não cumprimento das “ promessas da modernidade”São promessas de: igualdade, fraternidade, justiça, direitos humanos, liberdade e paz.


O mundo vive uma preocupação exagerada com o progresso. A pobreza e a exclusão se espalharam por todos os continentes, atingindo mais a população com menos escolaridade. A exclusão social, inverso de integração social, é produto de construção social. Tem múltiplas causas e pode afetar o cidadão econômica, política, social, educacional, digital e culturalmente. Conforme Dupont e Ossandon, “ o homem subverteu profundamente o seu ambiente graças à tecnologia, mas, em retorno, a tecnologia, modificou, no ser humano, as maneiras de agir, de pensar e de entrar em contato com o mundo”(1998:107)...”


O ser humano é hoje inflado pelas TICs (tecnologias de informação e comunicação). Acredito que o ser humano assimila tudo a sua volta, de forma consciente ou não, e que de alguma forma macera, aprimora, exclui, agrega, transforma este “tudo” em expressões do viver, assim, nos flashs comunicacionais temos uma mídia relata mais a violência e o caos mais do que qualquer coisa, então como poderemos viver sem medos e nos concentrar na construção de seres-humanos mais otimistas, versáteis e evoluídos?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Um parênteses nos temas – RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA

Na Universidade de Verão deste ano (2008), ministrei uma oficina intitulada “ BLOGS E INTERNET” que, basicamente relatou a história, a importância e as transformações que as TICs vêem ocasionando na vida dos indivíduos. No entanto, o mais interessante é que foi possível medir alguns fenômenos que ocorrem.
Na dinâmica da oficina, estava previsto que os alunos dessem uma “BLOGADA”, para tanto, utilizamos uma ferramenta desenvolvida na própria universidade e construímos um blog colaborativo. Os indivíduos podiam escolher e criar suas áreas e definir o que gostariam de blogar. Até aqui sem novidades, porém numa segunda fase, cada aluno deveria escolher aleatoriamente 03 áreas (blogs) para comentar o post, o resultado foi o seguinte, desta pequena comunidade de alunos iniciantes (30);

- Dos blogs mais acessados e comentados, seus criadores relataram que agiram com honestidade e pegaram assuntos que estavam em alta, na moda.
- Outros relataram que usufruíram da relação com os amigos para alavancar seus acessos
- tivemos a seguinte estatística: foram 67 comentários, sendo que, os mais votados tiveram 08 e 07 e ficaram na "crista da onda" nos acessos. Os demais comentários ficaram na faixa dos 5, 3, 2,1 e nenhum.

Alguns pensamentos e questionamentos:
Porque uns foram mais procurados e blogados, se todos tinham as mesmas condições?
Porque as pessoas blogam?
Porque é tão eclética a busca pela tecnologia e o expressar-se
Quais são as preocupações de quem bloga?
Será que a sensação de imersão é geral?
Quais as conseqüências?

Resolvi relatar esta experiência porque de tão simples veio a confirmar algumas teorias que tenho estudo sobre as transformações causadas pelo advento das tecnologias de comunicação.Caso queria conferir o resultado é só acessar: WWW.unifran.br/blog/univerao/

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

a Cultura, com maiúscula, é substituída por culturas, no plural


PÓS-MODERNIDADE E CONHECIMENTO: educação, sociedade, ambiente e comportamento humano (Ernâni Lambert, Humberto calloni, Maíra Baumgarten, Ivalina Porto)


Pós-modernidade e educação (Ernâni Lampert)


“... Da antigüidade à contemporaneidade, medos, incertezas, crises, epidemias, misérias, atrocidades, guerras, catástrofes, conflitos étnicos, ideológicos e religiosos, bem como progressos em todos os campos acompanham o homem, que entrou vazio e inseguro no terceiro milênio, apesar de todos os avanços científicos e tecnológicos...


...A modernidade, enquanto momento histórico refere-se à etapa suscitada pela revolução Industrial Na Inglaterra, pela Revolução francesa e pela influência exercida pelo raciocínio científico, que emergiu do iluminismo, intencionando organizar racionalmente a vida social...
...O discurso da pós-modernidade oferece uma série de dificuldades específicas que obrigam a aceita-lo como algo fragmentado, contraditório e incompatível...


... os pós-modernos confiam na heterogeneidade e na diferença; afirmam a fragmentação de experiências; enfatizam a existência de micro poderes capilares no interior da sociedade e consideram ilusórios o poderio do Estado e a dominação de classe...


...para Gomes, " O mundo pós-moderno é descentralizado, dinâmico e pluralista..."


Para que possamos refletir e reconhecer os impactos que sofremos, separei as seguintes afirmações;


"... a Cultura, com maiúscula, é substituída por culturas, no plural..."

"Como fazer falar o silêncio sem que ele fale necessariamente a linguagem hegemônica que pretende fazê-lo falar?"
"...O impacto tecnológico provocou mudanças na forma de como o saber era produzido, distribuído e legitimado"

"A fonte de todas as fontes se chama informação. A riqueza de uma potência não se da mais, unicamente, pela abundância de matéria-prima, e sim pela quantidade/ qualidade de informação técnico-científica"
"Descobriu-se que a razão não é onipotente; que a ciência não é absoluta: que a verdade é relativa e questionável e que qualquer discurso universalizante, que não considerar a diversidade entre as culturas, raças, linguagem, credos religiosos e ideológicos, tende a ser rejeitado..."


Hoje, com nossos usos e participação nas chamadas TICs, nos sentimos como se tivéssemos descoberto algo novo e libertador, tudo porque, fazemos parte destas transformações, levamos e nos deixamos levar, um "teclar", um impulso, antes medido, pensado, avaliado, hoje, pulsa solto com milhares de milhões que transitam nos cabos de fibra óptica - temos que nos atentar para o momento pós-moderno não impregnar.


Pós-modernidade blogada, e ai você não se acha pós-moderno demais?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Identidade antes que tardia...


Hoje em dia, com tantas coisas que falamos e pensamos sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação, podemos falar em identidade? Qual seria as identidades que nos aproximam ou afastam? Como colaboramos para a criação da identidade?
Assim, podemos nos juntar a milhões de estudiosos e pesquisadores, para refletir sobre identidade.
Comente, post sua opnião, podemos esquentar esta discussão sabia?
Assim, que seja " Blogada" a identidade...








quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

a emancipação da identidade


Ao completar da natureza em movimento e transformação, temos uma obra de arte, ‘O Grito”de Edvard Munch, uma das interpretações possíveis é a do indivíduo que se reconhece como um mutante e parte desta natureza, dai um grito desesperado de várias sensações e sentimentos.Hoje, com este movimento e evolução das TICs, há várias especulações tanto positivas quanto negativas das conseqüências das transformações individuais e coletivas desta acoplagem homem-máquina e um assunto peculiar deste meio é a questão da identidade, por isso trouxe para este espaço alguns tópicos, parágrafos deste texto que releva algumas questões sobre este assunto.


“ não pire escreva”


PRÁTICAS IDENTITÁRIAS

Língua e Discurso

Izabel Magalhães, Marisa Grigoleto, Maria Jose Coracini


A escola tem papel central na realização das mudanças necessárias às novas exigências tecnológicas. E fundamental, em qualquer sociedade, que o indivíduo aprenda nas instituições escolares a se defender, conscientemente e de modo crítico, das influências, nefastas ou não, que atuam por meio das novas práticas discursivas instituídas pelo uso do computador.
As principais alterações que a nova tecnologia traz para a formação das identidades decorrem da mudança do que tradicionalmente entendíamos por tempo e espaço. A compressão espaço-temporal permite ao sujeito estar simultaneamente em espaços diferentes, a chamada bilocação. Essa alteração funciona no sentido contrário à concepção situada, local do sujeito estigmatizado dos grupos não politizados de tradição oral, ou seja, dos excluídos digitais, grupo majoritário no país.


Essa possibilidade agrega super poderes ao sujeito contemporâneo: a modalidade e o livre trânsito, livre das amarras sociais, de contornos geográficos e da estratificação, por essa espécie de paraíso cibernético, certamente conferiria certa onipotência ao sujeito.


... a separação capital-trabalho e a diferença entre aquele que transita livremente pelo espaço cibernético e aquele amarrado ao seu espaço-tempo local se acentua mais.


... a emancipação da identidade – o sujeito livra-se não só da noção de espaço, de tempo como também da noção de território. Para Milton Santos, o computador mede e controla o tempo multiplicando-o de modo potencial, segundo o usuário, seja ele empresa, grupo social ou pessoa, ao mesmo tempo que o contagia e reduz.


... o sujeito liberta-se do físico, adquirindo certa incorporeidade, também manifestada no evitamento de contato pessoal e na separação promovida pela tecnologia.


...a capacidade de os sujeitos desvincularem-se do local para se ligarem ao global sob o efeito da velocidade com que lidam com as TIC, como a Internet, pode torná-los descompromissados de qualquer problema local, pois a qualquer momento ele pode se mover para outro lugar sempre que esse se torne inóspito e pouco favorável aos seus propósitos.


... a natureza bipartida da expressividade do indivíduo na construção do self: Ele impressiona por meio do que comunica (verbalmente ou não) e pelo que emana, intencionalmente ou não, como ator na cena que se desenrola.


...A interação é possível porque cada participante espera do outro que respeite e mantenha um acordo superficial, um “ consenso operacional” que define a situação em curso, que o indivíduo infere do discurso, tornando-o aceitável aos demais participantes.


...os MUDs não somente são lugares em que o self é múltiplo e construído pela linguagem, mas também eles são lugares em que as pessoas e máquinas estão em uma nova relação com a outra, desincumbidos dos acordos de ordem moral que as projeções face a face na interação presencial.
...estamos entrando num mundo novo da interação, ainda a ser moldado pelos sujeitos nas suas singularidades e nas suas historicidades...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Os blogueiros são as mesmas pessoas

“Os blogueiros são as mesmas pessoas que eram há alguns anos. Mas hoje eles não precisam convencer ninguém a ter o direito de convencer alguém....O blog é apenas um novo modo de transmitir essa escrita, um meio que ignora completamente todos os editores.O público é o editor...”Blog: Entenda a revolução (Hugh Hewit – ed Thomas Nelson Brasil)

Hoje, no calcar da leitura deste livro sobre a revolução blogueira, onde HEWIT é um famoso jornalista político no EUA, e descrever os fenômenos dos blogs neste sentido, a frase “ Os blogueiros são as mesmas pessoas que eram há alguns anos” me intrigou. Como assim “eram”?No entanto, um pouco mais a baixo retrata a libertade de ser blogueiro... Liberdade?E para misturar um pouco mais, tentei me encontrar nos textos da Grigoletto que trata das práticas identitárias , onde “ parte do pressuposto teórico de que as identidades são construções social e culturalmente situadas, em oposição a uma suposta essência subjetiva que engendraria a identidade de cada indivíduo. Como conseqüência dessa construção social, entende-se que as identidades são formadas na relação inescapável e necessária com a alteridade” E ainda..“... faceta que muda a cada instante em que o sujeito efetivamente diz o que tem a dizer”(SOUZA)Então, misturando tudo todo mundo pode estar certo e completamente errado.Gente! Sinceramente preciso de ajuda.

Talvez HEWIT, se expresse no sentido de demonstrar a fidelidade do blogueiro, das pessoas que criaram o hábito de blogar e que uma das motivações é a questão de não ter que pedir permissão a ninguém, no entanto, sua colocação fica um pouco contraditória quando afirma “ O público é o editor”, pois se isto for verdade, somos “ assujeitados de alguma forma a ele e por ele.Assim ocorre a alteridade descrita por Grigoletto como conseqüência das construções sociais e da suposta essência subjetiva que elabora a identidade dos individuas. Tudo é móvel e volátil, e como diria BAUMAN : É LIQUIDOPor isso, que em um sentido mais amplo, o blogueiro que começou este texto já não é o mesmo que o encerra...